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Coleção “Trovadores Brasileiros”
Organização de Luiz Otávio e
                                                           J.G. de Araujo Jorge

 
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TROVAS DE CIÚME
dos III JOGOS FLORAIS de Nova Friburgo
                                                                      Prefácio de J.G. de Araujo Jorge

OS “JOGOS FLORAIS”: uma iniciativa plenamente vitoriosa.

Cidades onde já se realizam:
Friburgo, Campos, S. Fidelis, Pouso Alegre, Juiz de Fora, Belo Horizonte.

No momento em que preparamos os originais de mais três volumes da
“Coleção Trovadores Brasileiros ”, os de números 13, 14 e 15, realizam-se na cidade
de Friburgo os IV “JOGOS FLORAIS”, baseados como sempre, num concurso de trovas.
O Tema do Concurso deste ano é: A VIDA.
Já se passaram quatro anos desde que eu e Luiz Otávio resolvemos lançar no Brasil a idéia
de torneios literários à maneira dos que se realizavam na Idade Média com a denominação
 de “JOGOS FLORAIS”. E já agora se pode dizer que a iniciativa está plenamente vitoriosa.
Ainda recentemente, numa das já famosas “Mesas Redondas” de Gilson Amado, na TV-Continental do Rio, focalizamos e historiamos o seu lançamento e desenvolvimento nestes
quatro anos. Estiveram presentes ao programa, além de nós dois, a jornalista e trovadora
Helena Ferraz,- (que usa o pseudônimo de Álvaro Armando na imprensa), e o trovador
Zalkind Piatigorsky.
A realização dos três primeiros “JOGOS FLORAIS”, de Friburgo, representou
um trabalho estafante para mim e para Luiz Otávio. Durante meses, de Janeiro a Abril
nos reunimos com outras intelectuais, no Rio, em Comissão, para a seleção das trovas
que mandadas para o jornal “O Globo”, secção “Porta de Livraria”.
A preparação do programa dos “Jogos”; escolha e contato com a Comissão de Friburgo que seleciona as trovas enviadas a Academia Friburguense, e as remete para o Rio; as questões
de hospedagem, passagem, as festas em Friburgo nos diversos Clubes os bailes, a promoção
para a escolha da “Musa” dos “Jogos Florais”; a confecção de lembranças, flâmulas, troféus,
a exposição de trovas, de livros; a programação de conferências sobre a poesia, os passeios, a divulgação dos resultados pela imensa, tudo isto, sempre implicou numa atividade absorvente, sacando muitas vezes nossas atividades profissionais, obrigando-nos a reuniões e idas
sucessivas a Friburgo.
Mas sempre trabalhamos, com amor, pois fazíamos questão que tudo saísse
da melhor maneira possível, para a perfeita concretização de nossa idéia e
para o prestígio de Friburgo.
Entretanto, tivemos de enfrentar muitas vezes grandes e desleais dificuldades.
Infelizmente um ambiente às vezes quase hostil, a ignorância e incompreensão para
com uma iniciativa de tão evidente significação impediu que os “Jogos Florais”
pudessem interessar a uma maior parcela da própria população da cidade.
Mas como promoção para Friburgo o objetivo tem sido alcançado. Estiveram
em Friburgo nos “Jogos Florais” já realizados, grandes escritores e jornalistas como
Jorge Amado, Henrique Pongetti, Antônio Maria, José Conde, Waldemar Cavalcanti,
 Brígido Tinoco, Eneida. Helena Ferraz, Lucílio de Castro, Antônio Olinto, Zora Seljean,
João Felício dos Santos, Geir Campos, além de poetas e trovadores de vários estados
do Brasil, e até a poetisa angolana, Ana Rolão Preto, uma das vencedoras dos
II Jogos Florais, e que veio da África, como convidada, especial do Governo Brasileiro.
O que escreveram depois sobre Friburgo, suas belezas, seu clima privilegiado, as
festas que assistiram, não tem preço.
Mas enquanto em Friburgo encontramos dificuldades, noutras cidades, com
o apoio das autoridades locais, - tal como ainda se deu recentemente nos
I Jogos Florais de Juiz de Fora:. a festa se constituiu numa das mais bonitas e
importantes já realizadas na cidade.
Mas precisamos ser justos. Friburgo há um grupo de pessoas com espírito diferente: os Hoteleiros, os diretores das Empresas de Ônibus. as emissoras de Rádio local, na pessoa
de seu Diretor Aloísio Moura; Alvarino Bessa, Presidente da Associação Comercial,
industrial e Agrícola, a Diretora da Biblioteca Municipal, Margarida Liguori os Clubes
 locais jornalistas como Ângelo Ruiz. professores, intelectuais da terra, têm dado seu
apoio, e sem isto teria sido de todo impossível a realização dos “Jogas Florais” como
já vem acontecendo há quatro anos
Além de Friburgo, cidade que historicamente ficou sendo o “Berço dos Jogos Florais” brasileiros, várias cidades vêm organizando torneios semelhantes, com a mesma designação, ou com evidente influência da idéia original, o que prova a repercussão da iniciativa.

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Assim é que a cidade mineira de Pouso Alegre concretizou em 1951 a idéia dos seus
“I Jogos Florais”. O Concurso de Trovas teve como tema:
A ESPERANÇA,
e as cem melhores trovas foram incluídas no volume n.º 11 desta coleção.
A cidade fluminense de S. Fidelis anuncia para este ano mais um Festival de Poesia,
e será o terceiro. a partir do segundo festival, já São Fidélis instituía também um
Concurso cujo tema foi: O SONHO, além de realizar exposições
de livros, de autógrafos, de trovas, bailes, palestras. etc. Comparecemos aos dois primeiros festivais e podemos testemunhar o sucesso que alcançaram na simpática e hospitaleira cidadezinha do interior fluminense. O tema do Concurso deste ano é: A BONDADE.
Interessante é assinalarmos que nos Festivais fidelenses, seus promotores resolveram também escolher e coroar as suas “Musas”, escolhidas entre as moças mais lindas e inteligentes da região. A seleção se faz através de um renhido pleito a que concorrem as moças das principais cidades norte-fluminenses e finalmente em grande festa, em S. Fidelis é coroada a “Musa dos Trovadores Norte-Fluminense” escolhida entre as vencedoras nas diversas cidades.
Cruzeiro, cidade do interior de São Paulo, vem promovendo também festas do mesmo gênero,
com Concursos de trovas, edição de livros de poesia, palestras, etc.
No ano que passou, Juiz de Fora, a dinâmica cidade mineira, que homenageamos nesta Coleção, ao iniciá-la com a publicação das trovas de Belmiro Braga. seu grande trovador e poeta, fez da realização dos seus “I Jogos Florais” uma festa de que participou praticamente toda a população.
Não tendo podido estar presente, por motivo de saúde, mas indo a Juiz de Fora muitos meses depois, ainda encontrei a ressonância das festividades. Ampliando as homenagens e a idéia Juiz de Fora escolheu não apenas uma Musa dos seus “Jogos Florais”, mas nove, que nove eram
as Musas na antiga Grécia.
O tema do Concurso de Trovas dos “I Jogos Florais” de Juiz de Fora foi:
A CRIANÇA.
Como sempre, a promoção desses concursos vem obtendo uma imensa repercussão porque
tem sido feita, não apenas através de grandes órgãos da imprensa carioca como “O Globo”,
 o “Correio da Manhã”, mas pela imprensa e rádio das cidades onde se realizam.
No momento, Belo Horizonte está organizando também os seus “I Jogos Florais”
com um concurso de trovas cujo tema é: LIBERDADE.
Campos, no Estado do Rio, já promoveu duas grandes festas literárias sob a designação de “Salão Campista de Trovas”, e prepara-se para o III Salão com conferências, exposições de livros, de trovas, etc, sob o patrocínio da Academia Pedralva. Recentemente um jornal campista promoveu um concurso de trovas sobre o Natal.
Já fui procurado no Rio por jornalistas e radialistas de Uberaba que desejam seja esta importante cidade do triângulo, a sede dos “Jogos Florais do Triângulo Mineiro”, com a participação de Uberlândia e outras cidades da mesma região.
A divulgação destas promoções tem sido ampliada de modo extraordinário através do rádio e da televisão- No Rio, além do meu programa na Rádio Tupi, aos sábados, às 18:30 horas, Aparício Fernandes e Luiz de Carvalho realizam um verdadeiro movimento cultural de divulgação da trova, em várias apresentações diárias através da Rádio Globo.
Enquanto publicamos através da Editora Vecchi esta coleção que conta já com 15 volumes, e mais três no prelo, a Livraria Freitas Bastos, lançou a sua coleção “Trovas e Trovadores”, cujos primeiros 11 volumes já se esgotaram, e vão sair em segunda edição, acrescidos de volumes novos.
Como se vê, a iniciativa de Luiz Otávio e minha, idéia dele, trabalho nosso, vai atingindo lentamente seus objetivos: não apenas divulgar e valorizar a trova que a essência mesma de nossa poesia, mas cultivando-a, interessar parcelas cada vez maiores de brasileiros no trato das letras e no convívio da cultura. E' um trabalho sério. E que se amplia cada vez mais.
Já cogitamos, por exemplo, da realização este ano, dos Jogos Florais de Petrópolis e Teresópolis. Esta ampliação aliás, vem, ou vai ao encontro dos velhos “Jogos Florais” medievais, quando se realizavam concursos literários, incluindo-se a prosa, com contos, peças de teatro, etc.

A verdade é que se trata de uma iniciativa plenamente vitoriosa. Seu maior mérito cabe inegavelmente a Luiz Otávio, esse apaixonado da trova, - sua paixão de todas as horas. Mas vamos dividi-lo com o povo brasileiro – poeta de nascença – que tem feito de todos esses concursos e promoções, autênticas festas de poesia popular.
J.G. de Araujo Jorge
                                       
in
 Coleção “Trovadores Brasileiros”
Organização de Luiz Otávio e
J.G. de Araujo Jorge
Editora Vecchi – 1959

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