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Coleção “Trovadores Brasileiros”
Organização de Luiz Otávio e
J.G. de Araujo Jorge

100 TROVAS DE CIÚME
dos III Jogos Florais de Nova Friburgo
* * *
Trovas Vencedoras
1º lugar
Quanto mais teu corpo enlaço
mais padeço o meu tormento,
por saber que o meu abraço
não prende o teu pensamento!
(Jesy Barbosa - Petrópolis )
2º lugar 3º lugar
Tenho ciúme profundo Duas vidas separadas,
de todo mundo, porque dois amores... Dois queixumes...
tenho medo que esse mundo Duas saudades... Dois nadas...
roube o meu mundo - você! Somos nós dois, - dois ciúmes!...
( José Maria Machado de Araujo - RJ.) ( Edgard Barcelos Cerqueira - Rio)
4º lugar 5º lugar
Guarda este pranto, sê forte, Dizes que sou ciumento.
foi pra morrer que nasci. Não posso contradizer-te
Ou tens ciúme da morte se vivo a todo momento
que quer levar-me de ti? o momento de perder-te.
( Anis Murad - Rio) ( Durval Mendonça - Rio)
6º lugar 7º lugar
Sou ciumenta e não minto, A vida às vezes resume
é bom que saibas, meu bem: contrastes deste teor:
o que for meu, não consinto só se morre de ciúme
que seja de mais ninguém. quando se vive de amor.
( Iraci Nascimento Silva - Rio ) (Colbert Rangel Coelho - Rio )
8º lugar 9º lugar
Se o Amor é cego, o Ciúme Pesada cruz suportamos:
índa é mais cego, porque, -de ciúmes os dois sofremos!
não vendo nada, presume Por isso é que nos amamos
que vê bem o que não vê! e nunca nos entendemos...
(Archimimo Lapagesse - Rio ) ( José Maria Machado de Araujo -Rio)
10º lugar
Não condenes, por favor,
os meus ciúmes, Maria.
Olha que os cegos de amor
também precisam de guia!
( José Maria Machado de Araujo -Rio)
Menções Honrosas
11º lugar
Disse: "Que trova bonita!"
Mas tu não ouviste bem
e logo indagaste aflita:
"Quem é que é bonita, quem?"
(José Maria Machado de Araujo -Rio )
12º lugar 13º lugar
No vazio dos meus dias, Quando o ciúme deu fim
fico a pensar no meu bem: do nosso amor, duvidei.
as suas horas vazias Não supunha que cupim
são preenchidas por quem? desse em madeira de lei.
(Anis Murad - Rio ) (Colbert Rangel Coelho - Rio )
14º lugar 15º lugar
Vou confessar a verdade: Não é quando vais embora
o meu amor se resume, que tenho ciúmes assim,
de longe, - em sentir saudade... é quando estás como agora,
de perto, - em sentir ciúme! pensativo, junto a mim.
(Edgard Barcelos Cerqueira - Rio ) ( Carolina Azevedo Castro - Petrópolis)
16º lugar 17º lugar
Se meu ciúme resume Tenho ciúme das pedras
a tortura de teus ais, em que tu pisas, meu bem,
tua falta de ciúme mas, quando passas comigo,
me tortura muito mais. que ciúmes elas têm !
( Colbert Rangel Coelho - Rio) ( Hugo Alvarenga Peixoto - Rio)
18º lugar 19º lugar
Teu ciúme me maltrata, Todos olham quando passas,
grita e fere com ardor, e eu sinto, cheio de dor,
e, coisa estranha, me mata, que nasce de tuas graças
vivendo de tanto amor! a desgraça deste amor.
(Áurea Dias - Nova Friburgo ) ( Orlando Brito - São Paulo)
20º lugar 21º lugar
É marido de talento, Nisto afinal se resume
que conhece o seu mister, teu sofrimento sem fim:
quem se faz de ciumento só por não ter eu ciúme,
para enganar a mulher... tens tu ciúme de mim.
( Orlando Brito - São Paulo) ( Paulo Emílio Pinto - BH.)
22º lugar 23º lugar
Quem ama e não tem ciúme A dor que em meu peito mora,
não sabe amar, não quer bem. a ninguém conto, porque
Tem apenas o costume eu dela tenho ciúme
de viver junto de alguém... como eu tinha de você.
(Orlando Brito - São Paulo ) ( Leopoldina Dias Saraiva - Rio)
24º lugar 25º lugar
Nem zangas e nem queixumes - "Hoje estas outro!" e a boca
ao me ver com outra ao lado. beijou-me, falando assim.
e essa falta de ciúmes - "Eu... outro? Que coisa louca!"
me deixou enciumado... Tive ciúmes de mim!
(Orlando Brito - São Paulo ) ( João Rangel Coelho - Rio)
* * *
As trovas a seguir não estão numeradas por ordem de
classificação nem a numeração corresponde às Trovas
semifinalistas publicadas no "O Globo" do Rio de Janeiro.
* * *
n.26
Ciúme será remédio
ou veneno, ao seu sabor;
bem dosado, cura o tédio
grande porção, mata o amor.
(Zaíra de Azevedo Conrado Leite -Rio)
n.27 n.28
Um bocadinho de ciúme, Mamãe, não quero a maninha
se temperado ele for, que você me prometeu;
é azeite que atiça o lume - o colo da mamãezinha
na lamparina do amor. vai ser mais dela que meu...
( Bittencourt de Sá - Rio) ( Jayme de Faria Góes - Rio)
n.29 n.30
Quem seu ciúme proclama, Também sou irmão, na dor,
fazendo questão de expô-lo, da velha fonte entre abrolhos.
insulta aquela a quem ama, -Quem tem ciúmes de amor,
ainda faz papel de tolo... tem duas fontes nos olhos.
(Adalberto Dutra de Rezende - Bandeirantes ) ( José Maria Machado de Araujo - Rio)
n.31 n.32
Decerto, amor, nem presumes, Ao vê-la, cheia de encantos
quando na igreja te avisto, nos braços de outro, não nego,
que chego a sentir ciúmes os meus ciúmes são tantos,
da própria imagem de Cristo. que preferia ser cego!
( Orlando Brito - São Paulo) ( José Maria Machado de Araujo - Rio)
n.33 n.34
Quando, no amor, o ciúme O ciúme, sem exagero,
vai-se embora, indiferente, tempera o amor com seu sal...
o que logo se presume Mas também, sendo tempero,
é que o amor já foi na frente. em demasia faz mal !
(Carlos Vandoni de Barros - Rio ) (Archimimo Lapagesse - Rio )
n.35 n.36
Estranha dor, que persiste O amor me fez tresloucado,
teimosa como um perfume: a saudade me fez triste.
já cicatriza a saudade Mas foi com as farpas do ciúme
- e dói-me ainda o ciúme que mais fundo me feriste.
(Anderson Braga Horta - Rio ) ( Anderson Braga Horta - Rio )
n.37 n.38
São coisas inseparáveis Só para minha desdita,
a boca, o beijo, o queixume, gosto de vê-la mais bela.
céu, estrelas, infinito, Ela estando mais bonita,
amor, saudade e ciúme. mais ciúmes tenho dela.
( Anderson Braga Horta - Rio) ( Colbert Rangel coelho - Rio)
n.39 n.40
Eu que em ciúmes, meu bem, Meu ciúme, que suportas,
vivo com tanta ansiedade, é fruto do amor perfeito.
não consigo nada além Às vezes, por linhas tortas,
do que aumentar-te a vaidade. é que se escreve direito.
( Adênis Bergamaschi -BH) (Colbert Rangel coelho - Rio )
n.41 n.42
Por quem te engana, padeces... Sentir ciúme é impróprio,
Dou razão aos teus queixumes. de quem ama com fervor:
e eu tenho (Ah!, se soubesses...) é mais prova de amor-próprio
ciúme dos teus ciúmes. do que uma prova de amor.
( Orlando Brito - São Paulo) ( Walter Waeny Junior - Santos)
n.43 n.44
Suprema felicidade Hoje, que o amor se acabou
em nosso amor se resume: e está, para sempre, extinto,
não nos maltrata a saudade, até saudade eu sinto
nem nos separa o ciúme. do ciúme que o matou.
( Aparício Fernandes - Rio) ( Carlos Vandoni de Barros - Rio)
n.45 n.46
Sei que você não aprova Eu não teria, talvez,
e é, no entanto, assim que eu sou: tanto ciúme, meu bem,
se de amor dou qualquer prova, se os olhos com que me vês
prova de ciúme eu não dou. não fossem vistos também.
( Walter Waeny Junior - Santos) ( Colbert Rangel Coelho - Rio)
n.47 n.48
Desde o começo do Mundo Senti ciúmes, ouvindo,
o ciúme armou querelas. um jovem falar de alguém.
O próprio Adão surpreendeu Corpo assim rosto tão lindo
Eva a contar-lhe as costelas. -só podem ser do meu bem!
(João Martins de Almeida - Pindamonhangaba ) (Colbert Rangel Coelho - Rio )
n.49 n.50
Tenho ciúme do vento Não condenes, por favor
que se revela atrevido estes ciúmes, meu bem:
tentando, a todo momento, -Já viste alguém sem amor
levantar o seu vestido. sentir ciúmes de alguém?
( Colbert Rangel Coelho - Rio ) ( José Maria Machado de Araujo - Rio)
n.51 n.52
Com teu ciúme padeço Não sei se tenho razão
mas sou feliz, mesmo assim, de ter ciúmes de ti;
pois é com ele que meço confiar desconfiando...
o quanto gostas de mim. foi contigo que aprendi.
( H.Stanziola _ Rio) ( Célia Cavalcanti - Rio)
n.53 n.54
Nas lindas noites de lua Eu, com outra? - Que maldade!
que ciúme sofre o mar E tu crês nessa tolice?
vendo a rocha, toda nua -Não houve nem a metade
sob os beijos do luar. do que o ciúme te disse!...
( Jesy Barosa - Petrópolis) (José Maria Machado de Araujo - Rio )
n.55 n.56
Aos ciúmes dando trato, Dos bons biscoitos, "Maria",
num quebra-quebra perverso tenho ciúme freqüente.
nós somos o cão e o gato Só porque vejo teu nome
mais unidos do universo. na boca de toda gente...
( Colbert Rangel Coelho - Rio) ( Wagner Luiz Ribeiro - Rio)
n.57 n.58
No teu quarto, de joelho Amor que não tem ciúme
curvado à beleza tua, lembra a guitarra sem fado;
tenho ciúmes do espelho lareira fria, sem lume;
que já te viu toda nua. um verso de pé quebrado
( João Rangel Coelho - Rio) ( Durval Mendonça - Rio)
n.59 n.60
Em mim ciúme é veneno, Sem o ciúme - que é briga,
é um antídoto eficaz mas é ternura, depois,
é fazer com "outra" o mesmo que seria, minha amiga,
que ela com "outro" me faz. de mim, de ti, de nós dois?
(La Fayette Soares - Rio ) (Anis Murad - Rio )
n.61 n.62
É pena que eu sofra as penas Novamente juntos, nós!
por amor daquele amor... Mas, encontro-o tão mudado,
Das penas eu culpo apenas, que sinto um ciúme atroz
o ciúme malfeitor. de mim própria, no passado...
(autor não identificado ) ( autor não identificado)
n.63 n.64
Ciúme é zêlo... é cuidado... Sempre desculpo e tolero
é muito egoísmo, também... teu ciúme pertinaz.
- Confiar, desconfiando... Não vale o bem que te quero
De quem a gente quer bem... todo o mal que ele me faz.
( Alberto Goulart Wucherer - Rio) (José Maria Machado de Araujo - Rio )
n.65 n.66
Despertei sobressaltada Eu trago minha alma aflita,
ouvindo-o dizer: "meu bem!" bem vês o ciúme em meu rosto;
Pus-me a escutá-lo intrigada, o mal é seres bonita
ele sonha... mas com quem? e os outros terem com gosto...
( Carolina Azevedo Castro - Petrópolis) ( Aparício Fernandes - Rio)
n.67 n.68
O ciúme, sem excesso, -Que, numa trova, eu consagre
querida, é prova de amor! uma verdade cruel?
Entretanto, só te peço: -Ciúme é como vinagre
- Não te excedas, por favor! que cai num frasco de mel.
( Jobel Rodrigues de Matos - Rio) (Walter Waeny Junior - Santos )
n.69 n.70
Façamos logo um acordo, Se o meu ciúme reprovas,
sem queixa, mágoa ou rancor: muda de nome, Maria.
dividamos o ciúme, Já não posso ver em trovas
multipliquemos o amor. o teu nome, todo dia.
(Octávio Babo Filho - Rio ) (Colbert Rangel Coelho - Rio )
n.71 n.72
Ciúmes... Sofro... Tortura... Este ciúme que cobra
Mas a razão me consola: tributos à minha paz
tenho amor (quanta fartura!) é tudo quanto me sobra
e as "outras" vivem de esmola! do pouco que tu me dás.
(Nice Nascimento - Rio ) ( Colbert Rangel Coelho - Rio )
n.73 n.74
Quem, presa de ciúme atroz Teu ciúme exagerado,
tem na alma um amargo travo, tanto me acusa e maldiz,
parece agir como algoz que até me sinto culpado
e, na verdade, é escravo... de coisas que nunca fiz...
( Walter Waeny Junior - Santos ) ( Archimimo Lapagesse - Rio)
n.75 n.76
Se o Mar, com os dedos das ondas, Foi da tua teimosia,
vem em delírio afagar que o nosso amor terminou.
as tuas formas redondas, Nunca houve outra Maria,
tenho ciúmes do Mar. teu ciúme é que a inventou!
(João Rangel Coelho - Rio ) (Edgard Barcelos Cerqueira - Rio )
n.77 n.78
Dizes serem diferentes Das dores que me consomem,
nossos ciúmes, - convenho: eis a que mais me espezinha:
-Tu sabes por quem os sentes, ver que há de ser de outro homem
eu não seu de quem os tenho! quem nasceu para ser minha.
( José Maria Machado de Araujo - Rio) (João Rangel Coelho - Rio )
n.79 n.80
O ciúme que reveste Ciúme é dor... e loucura...
a nossa história infeliz que maltrata tanto a gente
viu coisas que não fizeste, quando a amada criatura
viu coisas que nunca fiz. tem outro amor diferente...
( Colbert Rangel Coelho - Rio ) ( Alberto Goulart Wucherer)
n.81 n.82
Ciumento, com fúria louca, Como feliz eu seria
às vezes penso, afinal, por esse mundo sem fim,
que beijas na minha boca se alguém viesse algum dia
a boca de um meu rival a ter ciúmes de mim!
(João Rangel Coelho - Rio ) ( J. Rebelo)
n.83 n.84
Teu ciúme faz-me bem Ciúme é ter-se constante,
neste nosso apartamento. no pensamento, o pavor
Pois ter ciúmes de alguém de que alguém, a todo instante,
é tê-lo no pensamento. quer roubar o nosso amor.
(Celeste de Abreu - Portugal ) ( Leir Morais - Rio Bonito)
n.85 n.86
A mais atroz - disse alguém Do teu ciúme, com desgosto,
das dores que a gente sente, apresento testemunhas,
é ter ciúme de quem apontando no meu rosto
não tem ciúmes da gente! a marca de tuas unhas.
( Djaldyr M. de Faria -Rio) ( Colbert Rangel Coelho - Rio)
n.87 n.88
Tenho ciúmes, amada, Minha dor de cotovelo...
desse leito, onde risonha, Minha pedra no sapato...
ao travesseiro abraçada, A todos digo que é zelo
tantas noites você sonha. mas é ciúme de fato!
( Colbert Rangel Coelho - Rio) (Anibal Vitrai Monteiro -Rio )
n.89 n.90
Nisto a vida se resume: Que me traias me negas
nada existe sem defeito, mas, traindo-me, te trais:
e, se não fosse o ciúme, -O perfume com que chegas,
o amor seria perfeito! nunca é o mesmo com que sais...
(Vera Milward de Carvalho - Caxambu ) (Cesídio Ambrogi - Taubaté )
n.91 n.92
Não foi porque tu vieste Das angústias a maior,
atrasado, que eu zanguei. a mais terrível das penas...
Foi só porque não me deste Como encerrar-te, ciúme
um beijo igual só que eu dei. em quatro versos apenas?
(Carolina Azevedo Castro - Petrópolis ) (Cecília CAvalcanti - Rio )
n.93 n.94
Finjo ter ciúme agora, Mal sabes como é penoso
para matar a saudade para mim, vê-lo a teu lado?
daqueles tempos de outrora - O ciúme é mais doloroso
em que o tinha de verdade. se a gente o sofre calado...
(José Maria Machado de Araujo -Rio ) ( Aparício Fernandes - Rio)
n.95 n.96
Sentimento negativo, Minha vida se resume
que ora faz mal, ora bem, num dilema assustador:
é sintoma positivo se eu sofro com teu ciúme,
de que alguém gosta de alguém. sofro mais sem teu amor.
( Anibal Vitral Monteiro - Rio) ( Maria José B. Cerqueira - Rio)
n.97 n.98
Não me importam teus queixumes Tu dizes com tal meiguice
não me aflige o teu desdém que tens ciúmes de mim,
se vejo nos teus ciúmes que adoro o disse-me-disse
o quanto me queres bem. que te faz ciumenta assim.
( Maria Izabel Miranda - Itajubá) ( Anibal Vitral Monteiro - Rio)
n.99 n.100
Cite a terceira pessoa A morte, incerto negrume,
do verbo amar, por favor, não me amedronta; talvez
E a voz do aluno ressoa: o que apavora é o ciúme
- O ciúme, professor! dela casar-se outra vez.
( José Maria Machado de Araujo -Rio) ( Colbert Rangel Coelho - Rio)
in
Coleção “Trovadores Brasileiros”
Organização de Luiz Otávio e
J.G. de Araujo Jorge
Editora Vecchi – 1959
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