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Coleção “Trovadores Brasileiros”
Organização de Luiz Otávio e
J.G. de Araujo Jorge
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I JOGOS FLORAIS de POUSO ALEGRE
Introdução de Luiz Otávio
Por ocasião do II Congresso Nacional de Trovadores, em setembro de 1960,
na cidade de São Paulo, encontrei-me com o velho amigo Jorge Beltrão,
diretor da Faculdade de Direito do Sul de Minas e presidente da Arcádia de
Pouso Alegre. Naquela oportunidade o referido amigo, que além de Juiz de
Direito e professor, é também, poeta e trovador, gentilmente convidou-me,
em nome da Faculdade de Direito, para fazer uma palestra sobre "A Justiça
e a Trova" e, em nome da Arcádia, para ajudá-la a organizar os I Jogos
Florais de Pouso Alegre. Ponderei que, em relação ao primeiro convite
- muito honroso para mim - teria antes de pensar bem, em face ao tema que
me era proposto, e, com referência ao segundo convite, devido a muitos
compromissos assumidos anteriormente, sugeria que convidasse outro
trovador que era também seu conhecido e trabalha num grande jornal
carioca; - este, se aceitasse o convite, - poderia ser o responsável pelo
concurso de trovas e eu estava pronto para cooperar. Posteriormente, aceitei
a incumbência da palestra na Faculdade de Direito do Sul de Minas e fui à
cidade de Pouso Alegre onde, carinhosamente recebido pronunciei algumas
despretensiosas palavras sobre a Justiça e a Trova. E, devido à não aceitação
do trovador que eu havia indicado para supervisionar o Concurso de Trovas
dos I JOGOS FLORAIS DE POUSO ALEGRE, resolvi então aceitar esta
outra honrosa incumbência. Conversei com Jorge Beltrão sobre alguns
pontos do concurso, dos prêmios e festas, e, ao voltar para o Rio, comecei a
trabalhar. Escolhemos o “tema” para o Concurso de trovas, que foi
“Esperança” e consegui que o vespertino “A NOITE” (do Rio de Janeiro)
patrocinasse a iniciativa publicando as trovas selecionadas semanalmente.
O poeta e jornalista Lincoln de Souza foi o nosso “padrinho” na obtenção do
apóio daquele jornal. A Comissão selecionadora de trovas era composta dos
poetas Augusta Campos, Baptista Nunes. Delmar Barrão, Helio C. Teixeira
e Luiz Otávio. Para a Classificação Final do concurso esses nomes foram
acrescidos dos seguintes escritores e poetas: Álvaro Moreyra, Helena Ferraz
(Álvaro Armando), J. G. de Araujo Jorge, João Felício dos Santos, Murilo
Araujo, Nilo Aparecida Pinto, Heitor Gurgel (pela “A Noite”), Waldemar
Cavalcante, Lucílio Teixeira de Castro, Dinah Carvalho de Paula, do Rio;
e de Pouso Alegre: Jorge Beltrão. Francisco Casceli, Maria Auxiliadora
Meyer Pires, Geraldo Clemente Andrade, Lecyr Pereira da Silva e Inácio
Loiola Engelman.
Semanalmente, eram selecionadas cinco trovas que vinham com um
pseudônimo e sobrecarta para identificação, e, das cinqüenta semifinalistas
foram escolhidas. - por um sistema de pontos - as dez primeiras e dez –
menções honrosas.
O poeta português, radicado no Brasil, - José Maria Machado de Araujo, foi
o grande vitorioso nos I Jogos Florais de Pouso Alegre, pois obteve o
1.°, 5.°, 11.°, 16.° e 19.° lugar. O trovador mineiro Colbert Rangel Coelho,
foi o que obteve o maior número de trovas semifinalistas: 13 quadras.
O jovem trovador potiguar - Aparício Fernandes - foi o vice-campeão, e
ainda obteve menção honrosa. Trovadores de várias cidades do Brasil foram
classificados:
de Santos - Walter Waeny Júnior;
de Pouso Alegre: Alfredo de Castro e Geraldo Pimenta de Moraes;
de São Paulo: Orlando Brito;
de Campos: Denancy Melo Anomal;
de Fortaleza: Otacílio de Azevedo;
de Juiz de Fora: Dinarte Barbosa Armond;
e uma percentagem maior do Rio de Janeiro,
o que é perfeitamente compreensível, por ter sido desta cidade, o jornal
patrocinador, pela maior população e, também, porque, no momento,
há um maior interesse por esse gênero aqui no Estado da Guanabara.
Além dos já citados, moram no Rio de Janeiro: Maria José Barcelos Cerqueira,
Archimimo Lapagesse, Lincoln de Souza, Edgard B. Cerqueira, Jorge Murad,
Célia Cavalcanti, Oldemar Lima de Andrade, Frazão Teixeira e Zalkind Piatigorsky.
Desejo esclarecer que as vinte primeiras trovas do presente livro estão
dispostas pela ordem da classificação mas, as restantes, não obedecem ao
mesmo critério. Foram aproveitadas no livro trovas que não tinham entrado
em julgamento, por chegarem fora do prazo. Observo, ainda, que a escolha
das oitenta quadras que completam o tomo foi feita apenas pelos dois
organizadores da Coleção Trovadores Brasileiros, não cabendo, pois, a
responsabilidade aqueles componentes das Comissões Julgadoras.
Como quase sempre acontece em Concursos literários, há os descontentes,
os inconformados e até mesmo os complexados e levianos. Que se divirja do
resultado que reflete a média de opinião de um conjunto de pessoas, é coisa
compreensível pois, também, os votos individuais de cada membro da
Comissão Julgadora divergem entre si. Assim, o prezado leitor, ou qualquer
concorrente, tem plena liberdade de gostar mais da trova que foi colocada
no 2.° lugar ou no 5.° ou em 20.° e, assim, achar que essa ou aquela quadra
- no seu modo de pensar - deveria ser a primeira colocada. O que não é
justo, no entanto, o que demonstra leviandade, falta de ética e, às vezes,
outros péssimos defeitos que não convém citar, é alguém - candidato ou
não, levantar suspeitas contra a honestidade de uma Comissão formada de
pessoas dignas, merecedoras de todo o respeito e que não têm o interesse
subalterno de que esse ou aquele candidato seja o vencedor. Houve, depois
de apresentada a classificação final do concurso de trovas dos I Jogos
Florais de Pouso Alegre, uma acusação dessas, leviana e torpe. partida
de um bajulador e complexado, e, agasalhada por um recalcado, nas páginas
de um grande diário carioca. esse que agasalhou as infundadas e não
comprovadas acusações, era justamente o elemento que eu indicara a Jorge
Beltrão para supervisionar o Concurso. Geralmente, essas desconfianças
e acusações partem justamente dos mais medíocres e daqueles que seriam
capazes de agir do modo pelo qual nos acusam de ter agido. A tola e
infundada acusação resumia-se apenas no seguinte: dos trovadores
colocados nos 20 primeiros lugares, a maioria pertence ao Grêmio Brasileiro
de Trovadores. Ignorava, talvez, o acusador, que da Comissão final,
formada de 21 membros, somente seis pertenciam ao referido Grêmio, que
muitos de nós seis, pertencentes ao Grêmio votamos em trovas de autores
que não pertencem ao nosso quadro de sócios. Cito, por exemplo, o meu
caso pessoal, pois votei para primeiro lugar numa trova (que obteve a
terceira colocação) e que pertence a uma pessoa que não conhecia e ainda
não conheço. Esta declaração não constitui segredo, pois tenho exposto,
publicamente, os mapas de julgamento das Comissões que organizo.
Qualquer pessoa - concorrente ou não - pode tomar conhecimento dos votos
de todos os juízes, o que comprova a nossa intenção de agirmos às claras,
com rigorosa imparcialidade e honestidade Que não precisamos - nós do
Grêmio Brasileiro de Trovadores de ter elementos nossos nas Comissões
julgadoras para vencermos - é um fato facilmente comprovável.
Nos II Jogos Florais de Friburgo, por exemplo, cuja Comissão Julgadora
final era formada de 14 juízes, não tínhamos nenhum sócio da Guanabara e
apenas, um de Friburgo. E conseguimos obter mais de 50% das colocações
entre as 20 primeiras trovas colocadas. Num recente Concurso de trovas, na
cidade de Santos, cuja Comissão não tinha nenhum elemento de nosso
Grêmio, obtivemos também mais de 50% das colocações. Não temos culpa
se em nosso Quadro de sócios existam bons trovadores que gostam de
concorrer aos concursos de Trovas e neles obtenham êxito. Os nossos
acusadores sabem muito bem disso: de nossa honestidade e do valor do
nosso Grêmio. O que pretendem é lançar a confusão, a desconfiança
naqueles que, concorrendo com honestidade e ética, não sabem que
- infelizmente - há esses elementos perniciosos que, não podendo elevar-se
pelo seu valor próprio, procuram atirar pedras nos que, com lealdade e com
merecimento, conseguem obter o que eles tanto invejam.
Aproveitamos para agradecer a cooperação da Arcádia de Pouso Alegre,
seu presidente - Dr. Jorge Beltrão e seus companheiros; ao vespertino
"A Noite"; aos membros das Comissões Julgadoras e de Festejos; aos que
ofereceram plaquetas e Medalhas como prêmios, na cidade de Pouso
Alegre: Posto Chevrolet de João Valle Filho, Casa Andare, S. A. Fábrica de
Produtos Alimentícios Vigor, Metalúrgica Mariola S. A., Sapataria Ideal,
Pastifício Chiarini, Francisco Fernández & Cia., Casa Narciso, do Pastifício
Confiança, Livraria Avenida. No Rio: às Editoras e Livrarias que ofertaram
vários livros para prêmios: Liv. Guanabara, Liv. Francisco Alves, Casa Editora
Vecchi, Livraria Freitas Bastos, Editora Pongetti, Livraria Briguiet,
Livraria S. José. Aos poetas: Durval Mendonça, Lilinha Fernandes, Lincoln
de Souza, Brasil dos Reis, Eno Teodoro Wanke, Mario Linhares, Heraldo
Lisboa, que também ofereceram seus livros.
Desejamos fazer uma referência especial à inteligente e graciosa
Srta. Maria Eunice Santos Duarte,
que foi a Musa dos I Jogos Florais de Pouso Alegre.
Luiz Otávio

in
Coleção “Trovadores Brasileiros”
Organização de Luiz Otávio e
J.G. de Araujo Jorge
Editora Vecchi – 1959
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