
![]()
*****************************************
Coleção “Trovadores Brasileiros”
Organização de Luiz Otávio e
J.G. de Araujo Jorge

* * *
Friburgo nasceu predestinada, a ser a sede dos jogos Florais brasileiros
No alto das serras, num côncavo de montanhas, a 847 metros de altitude
no sopé da Caledônia cujo maciço se eleva a 2 282 metros, sua paisagem
é inesquecível.
Há anos lhe dediquei um longo poema, cujo fecho está hoje na memória
e no coração dos friburguenses:
No cimo da montanha, em seu ninho florido,
eis Friburgo! um "jardim suspenso”, no alto erguido,
paragem de beleza infinita e de calma onde repousa a alma...
Cidade cujo nome é um símbolo e um troféu
para de um caminho... a caminho do céu!
Eu criara sem querer, um slogan para a cidade dos cravos,
a "Suíça Brasileira", que passou a ser então a
"parada de um caminho... a caminho do céu..."
O clima é frio. É a cidade do clima frio mais gostoso do Brasil.
De abril a outubro, você tem a impressão de que está num clima europeu.
Nos meses de inverno, o termômetro desce a zero grau, e algumas vezes,
principalmente nos arredores, Muri, Cônego, Campo do Coelho, a alguns graus
abaixo de zero.
O mês de maio, com suas manhãs douradas, do céu sem nuvens, de um azul
puríssimo; com suas noites de luar, serenas, polvilhadas de prata, é um mês de
deslumbramento para o visitante. E foi o mês escolhido para as festas dos
"Jogos Florais", para ser mantida a tradição, pois na Europa é o mês da primavera.
Em Friburgo, é ainda o mês do aniversário da cidade, pois foi por carta régia
de 18 de maio de 1 818 que D. João V I resolveu instalar na antiga Fazenda de
Morro Queimado, no Município de Cantagalo, uma colônia de imigrantes suíços.
Coincidem, pois, as festas da cidade com as dos "Jogos Florais", e por isto,
o Prefeito e o Presidente da Academia Friburguense de Letras,
são Presidentes de Honra “natos”de todos os jogos.
Mas Friburgo não é apenas o lugar ideal para tais festividades, pela beleza
de sua paisagem e pelo seu clima privilegiado.
Se é verdade que seu clima é frio, a terra é quente Herman Burmeister,
cientista alemão que a visitou por volta de 1860, fez tal verificação
e a declara em sua obra: “Viagem pelas Províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais”. Aproveitei a palavra da ciência e g1osei-a nesta quadrinha
Fria Friburgo na serra,
Frio é o clima, o povo não,
pois é quente a sua terra
e ardente o seu coração
O povo friburguense é hospitaleiro e cordial.
Entrega logo o coração ao primeiro gesto de carinho,
à primeira palavra de amor a sua terra.
E a terra tem encanto, tem visgo .
Tenho visto homens de todos os tipos e temperamentos se apaixonarem por Friburgo.
Antonio Maria, o cronista de fina sensibilidade, teceu-lhe os mais lindos madrigais.
Henrique Pongetti, viajado e culto, entregou-se ao seu encanto.
Herbert Moses, confessou-me que Friburgo o conquistou.
Nada mais compreensível, portanto, que Luís Otávio e eu, que projetamos
a realização no Brasil dos "Jogos Florais", como torneios de poesia e de arte,
pensássemos em Friburgo desde o primeiro momento.
É o palco natural, dentro do majestoso cenário das altas serras, com matas,
águas e flores, todo enfim, para completar a sugestão de beleza indispensável
às festas do espírito e da sensibilidade.
E já que estamos falando em poesia, encerro esta nota com uns versos
em redondilha menor, dedicados a Friburgo e suas montanhas:
Teresópolis se orgulha
de ter "O Dedo de Deus",
que é um alto cume de pedra
que se ergue para o infinito
ferindo o azul dos céus...
Friburgo pode, entretanto,
orgulhar-se, e com razão,
de ter nas cinco montanhas
que ao seu redor se levam
os cinco dedos da mão.
Mão imensa, imensa mão
aberta sobre as montanhas
saudando ou dizendo adeus...
Na sua palma: Friburgo,
Friburgo fica em verdade
na palma da mão de Deus!
J.G. de Araujo Jorge
* * *
in
Coleção “Trovadores Brasileiros”
Organização de Luiz Otávio e
J.G. de Araujo Jorge
Editora Vecchi – 1959
*****************************************![]()