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Soneto - Menardo Ángel Silva "
(guatemalteco, contemporâneo)
No inverno há em gestação a nova primavera;
na noite mais sombria há uma alvorada pura;
o ser sábio é esperar; é forte quem espera:
bom semeador quem vela a colheita futura.
As horas dançam no ar, e se vão... É um aviso:
o riso e o pranto logo hão de encontrar um fim;
ah, feliz é quem pode ver, com o mesmo riso,
a serpente no bosque e o lírio no jardim.
Por ser inacessível é que adoro o céu!
Senhor! que eu nunca alcance o sonhado troféu,
nem satisfaça nunca a ânsia que me devora.
Triste e amargo é o fastio, os sonhos conquistados,
e farto o coração, ante os bens já gozados
em angústia, a indagar: "Que hei de pedir agora?"
( Soneto traduzido - JG de Araujo Jorge
in " Tempo Será " 1a edição - 1986 )
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