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" Soneto A Maria "
Miguel Ángel Asturias
(guatemalteco
- 1899-1974)
Não mudes a pureza - asa a perfume
do meu sentir, meu doce mal-estar,
és um ninho de pomba ainda implume,
princípio de viver, meu palpitar.
Tua presença é o pão de meu ciúme;
ouvir teu nome - levedura no ar
é o céu que o diz, e em canto se resume,
porque dizer Maria já cantar!
Apresentam-me os prados suas flores,
em mel desfaz-se o fruto em minha boca,
e te amo, com o melhor dos meus amores.
E apesar disso, para mim, Maria,
a constelação que não se toca,
e um avançado mar - minha agonia!
( Soneto traduzido - JG de Araujo Jorge
in " Tempo Será " 1a edição - 1986 )
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