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" Resposta ao Poeta Itabirano  "
                                                                                (De um pronunciamento na Câmara dos
                                                                                     Deputados por ocasião do 50.º aniversário
                                                          de sua atividade literária)

À Carlos Drummond de Andrade

Sim, triste, orgulhoso, de ferro,
em sua poesia; entre tímido e terno
em seu próprio embaraço;
mas ferro que não enferruja
que o tempo desafia com um brilho eterno
de aço.

É triste, mas com uma tristeza mansa,
contida,
sem razão,
que envolve como uma nuvem, um xale, uma lembrança
querida
e torna menos frio o nosso mundo
e menos só a nossa solidão.

É orgulhoso, talvez, um orgulho guardado
humilde, com medo de se mostrar,
mas que todo se derrama em palavras, tornando
poesia,
e desabrocha puro - que alegria!
como uma flor no ar.

O resto, Poeta, é o tempo, impassível moinho
que em sua mó (parece mentira)
tudo mói! ,

E diante dela, a vida, uma outra fotografia de
Itabira
na parede.
Tem razão:
como dói!


(Poema de JG de Araujo Jorge 
in " Tempo Será " 1a ed. 1986 )


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