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" Poeta Subversivo  "

  
Sou um poeta emparedado
por uma critica de concreto.
Metem-me numa cela escura
como um encarcerado,
ou num esquife, como se minha poesia
manando do coração como água pura
fosse coisa morta,
e o silêncio é um policial à sua porta.

Sou um poeta emparedado
segregado gratuitamente,
deixado na rua como um garoto indigente
abandonado.

Decretaram um
apartheid contra a minha poesia.
Certos críticos arianos
certos poetas brancos,
que falam e não são ouvidos,
vingam-se ferozes, racistas,
de minha pobre poesia que anda nas ruas
branca, negra, mestiça,
seja com quem for,
e todo dia amanhece escrita nos muros como uma mensagem
subversiva
de amor.

Ah, poesia perdida - como mulher da vida –
assim como o pão e o leite, como a água e o vinho,
alimenta
ou dessedenta   
o que tem fome a sede no caminho,
e por isso tem leitores,
e por isso se vende...

E, o que a pior para essa minoria intelectual
(espécie de oligarquia tecnocrática da poesia
nacional),
o povo a entende.

Tudo bem, nada de novo,
não estou nos programas, nos recitais,
nas citações dos amigos em roda,
nos jornais,
mas estou feliz e em paz...
Sou um poeta do povo.

Só isso!
Prego a subversão neste mundo burguês,
a subversão do amor,
tal como a pregou
certa vez
Cristo.


(Poema de JG de Araujo Jorge 
in " Tempo Será " 1a ed. 1986 )


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