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" Palavras de Outono "
Menardo
Ángel Silva
(equatoriano
- 1899-1921)
Guarda o sorriso: o meu coração enfastiado
é um fruto a sazonar que para o chão se inclina,
largo foi o caminho, amiga, estou cansado
e queria gozar minha hora vespertina.
Odeio o falso amor de folhetim; ferida,
minha alma não esmola as piedades alheias;
carrego uma tragédia: a minha própria vida!
- para escrevê-la usei todo o sangue das veias.
O outono chegou cedo, e me fez reflexivo,
sinto-me quase triste, alheio, pensativo,
as delícias do amor não me atraem, na idade.
Meu espirito anseia a lua, a eterna aurora,
e o relógio de Deus há de marcar-me essa hora
de estar com o meu Senhor por toda a eternidade!
( Soneto traduzido - JG de Araujo Jorge
in " Tempo Será " 1a edição - 1986 )
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