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" Palavras do Lider Eleito e
Canonizado "
( Trecho de um pronunciamento na
Câmara dos Deputados em homenagem
ao Presidente Tancredo Neves.)
Legitimo foi teu poder
que pode alimentar na alma do povo
esperança tamanha,
e que afinal deixaste como herança
para os teus companheiros de campanha.
Mais do que, pelos votos secretos, silenciosos
das urnas, como bocas lacradas
ate a apuração,
elegeu-te o voto aberto, unânime, declarado,
das ruas e das praças em seus múltiplos e incontidos
gestos de aclamação.
Como a leve a ágil tábua de um jovem surfistas
sobre as vagas populares, nas cidades, nos campos,
nas vilas
de nosso imenso pais, seguiste sem parar,
desfraldando a bandeira dos homens livres
que enfrentam ventos a ondas
num desafio ao mar.
Chegava de pé, forte, sem quedas, à praia
cercado pelas multidões que eram povo
e nação
em consciente agitação,
e subitamente, quem sabe? tocado pelos mais altos desígnios
de Deus,
por sua poderosa mão,
paraste, e ninguém saberá jamais por que
paraste, e a tábua ágil e audaz que te levava
à crista das vagas
transformou-se em lúgubre barco, solitário,
em pesado caixão.
Companheiro Tancredo
deste a mão a teu povo em meio à noite escura
da ditadura militar,
e te preparavas para conduzi-to
à "terra prometida" da liberdade
e da fartura
quando tiveste que parar.
Mas a serenidade com que recebeste a árdua missão
dava a todos a segurança
da tua liderança,
e realizou o milagre na unidade nacional...
A certeza de que conhecias todas as curvas do futuro
seus obstáculos e barreiras
e de que dispunhas de todos os meios para vencê-los
pôs o povo a teu lado, a segui-lo confiante
para a meta final.
Que mais altos desígnios te reservou o Senhor?
repito.
E ao perguntar me comovo,
e chego à convicção de que Ele transformou
a tua missão
na dolorosa lição que há de iluminar o caminho
do nosso povo.
Teu martírio aureolou nosso sonho de liberdade
e sob tua liderança
a treva abriu-se em luz,
como há dois milênios, outro martírio
deu dimensão de eternidade
àquele que sonhou salvar o mundo
e morreu preso à cruz.
Primeiro, vitorioso, a acenar sobre as ondas
a vela da esperança, como bandeira
e troféu,
depois, subitamente, num céu de nuvens a ventos
tu te transfiguraste numa pequena asa-delta, e te elevaste,
planando, serenamente, rumo o céu.
Estranho teu destino, estranhíssima gloria!
Primeiro, pelo coração do povo, eleito
Presidente,
( mais que eleito, aclamado )
depois "canonizado",
pela fé a pelo amor do povo,
em sua dor
ingressaste na História!
Sessão do dia 23, de abril de 1985
(Poema de JG de Araujo Jorge
in " Tempo Será " 1a ed. 1986 )
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