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" O Poeta Exige que o
seu Amor lhe Escreva "
Garcia
Lorca
(espanhol
- 1899-1936)
Amor de minha carne, viva morte:
espero em vão tua palavra escrita,
penso com a flor já seca, na desdita,
que se vivo sem mim, que importa a sorte?
O ar em torno é imortal. A pedra, inerte,
a sombra, não conhece, nem a evita.
Coração sem, ninguém, não necessita
o mel gelado que a alta lua verte.
Eu te sofri, rasguei as minhas penas;
tigre e pomba envolvi tua cintura
num duelo de carícias a açucenas.
Enche pois de palavras tal loucura,
ou deixa-me viver minha serena
noite de mágoa para sempre escura.
( Soneto traduzido - JG de Araujo Jorge
in " Tempo Será " 1a edição - 1986 )
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