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" Neve e Fogo "
Gaspar
Octavio Hernández
(panamenho
- 1893-1918)
Há um sereno esplendor em ti, tão leve
luz na brancura de teu rosto fino
que, muitas vezes, vendo-te, imagino
que nasceste do seio alvo da neve.
Quando te vejo à noite, frente ao mar
à janela, em anseios cismadores,
tua figura é como um ramo em flores
onde pousam dois pombos, a arrulhar.
Alguém talvez ao ver-to pensaria
que tens uma alma distraída e fria,
mas se a luz dos teus olhos puder ver,
com suprema emoção, vai concluir
que inflamado de amor há de morrer
se à paixão que arde em ti se consumir!
( Soneto traduzido - JG de Araujo Jorge
in " Tempo Será " 1a edição - 1986 )
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