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" Manon  "
                         
Emilio Carrère
                                                                        (espanhol,   faleceu em 1947)



Magas pupilas de ouro, as veias, cor de anil
em tua mão de monja - um lírio de ilusão –
és toda sonho e nardo, e em teu suave perfil
de dama do Trianon há uma nobre expressão.

Nada mais versalhesco: o teu porte gentil
- branca rosa de lis - é celeste visão!
Que fogo há na tua alma inquieta e sutil
que nos teus olhos põe tanta fascinação?

Quatorze versos dou-to e são flores, aos molhos;
quatorze rouxinóis para cantar teus olhos,
brancos cisnes, quatorze, à tua gentileza;

pra teus lábios beijar, quatorze abelhas de ouro,
e quatorze orações como salmos, em coro,
para a consagração de tua alva beleza.


( Soneto traduzido - JG de Araujo Jorge 
in " Tempo Será " 1a edição -  1986  )


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