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" Lembrando Vinícius   "



Quando partiu Vinícius, meu irmão, meu poeta
(Vinícius que não morreu)
ouvi a noticia na TV:

"Foi o último poeta romântico do Brasil."   

Se Vinícius pudesse ouvir, teria protestado:
- Esqueceram você, J. G.?
E eu lhe teria dito, entre magoado e absorto:
- Para eles, irmão,
eu sou um poeta morto.

O Vinícius que encontrei
adolescente,
na mesma tipografia,
relendo as provas de nossos primeiros livros
de poesia:
o seu Forma a Exegese,*
e o meu Céu Interior,

quando lhe confessei: acho-o jovem demais
para ser introspectivo, fechado, cerebral;
e ele, franco, compreendo: é que sua poesia é uma
água corrente

transparente, e você,
um retardatário romântico,
paradoxalmente, um grego sentimental.

Fica o tardio testemunho. E a alegria de depois
nos encontrarmos tantas vezes
na mesma canção,
o Vinícius que se abriu
aos claros versos de amor,
à mais alta poesia,
e a reinventar o romantismo
com seu gênio criador.


                           
"Posteriormente verifiquei que Vinícius já tinha publicado,
num livreto, o poema "Ariana, a mulher".


(Poema de JG de Araujo Jorge 
in " Tempo Será " 1a ed. 1986 )


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