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" Guarda do Amor  "
                                         
  Juan Ramón Jiménez
                                            (espanhol - 1881-1963)


Visto minha vontade com a armadura
do sofrer, do trabalho e da pureza,
sou um guarda de frágil fortaleza
se estás sempre a invadir minha amargura.

Mensagens de prazer e de ternura
escuto em torno... E além, vejo a beleza
do verde campo em flor... Minha tristeza
vai ceder novamente a essa loucura!,

Para não te escutar, bato as algemas,
golpeio o escudo de meu peito à espada,
senhor e escravo, ao teu amor me exponho.

Dormir me prende a ti, sem mais dilemas,
pois entras sempre, cruel e desvelada,
pela porta traiçoeira do meu sonho.


( Soneto traduzido - JG de Araujo Jorge 
in " Tempo Será " 1a edição -  1986  )


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