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" A Crítica  "

  

Torcem o nariz
para a minha poesia.

E eu pergunto
feliz:
- sem ela, que faria?

Boa, má,
qual o critério para seu julgamento?
E quem são, afinal,
os opositores?
Sem ela sou um músico sem instrumento,
minha vida seria vazia
como uma jarra
sem flores.

Sim, é a minha mesa, e meu pão,
meu vinho, minha ferramenta
de trabalho,
poderosa ou falha,
mas que sei fazer,
a que posso tocar,

Que culpa posso ter
se alguns a negam
quando tantos a querem levar?

(Levar só, não:
levar
no coração.)

Mágica cisterna,
ah, a minha poesia
(dizem que ela tem leitores)
se vende,
é como uma pequena lanterna
que se acende
e o caminho alumia;

humilde destino
de ser
um pouco de luz
na escuridão,
uma esmola de amor
a tantos indigentes,
mendigando nas ruas da solidão.


(Poema de JG de Araujo Jorge 
in " Tempo Será " 1a ed. 1986 )


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