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"
Soneto "



Bom o tempo que ficou, - amei-te na alegria
de uma tarde azulada e linda de Setembro,
- disso tudo hoje triste eu muita vez me lembro
enquanto uma saudade o peito crucia...

Amei-te, como nunca outro alguém te amaria,
eras o meu sonhar de Janeiro à Dezembro...
Depois... Tu me deixas-te, e ainda hoje se relembro,
Amargo a mesma dor cruel daquele dia...

Agora sem viver, - sou um corpo sem alma,-
conformo-me com tudo, e vou chegando ao fim
- como a tarde que cai bem suavemente em calma.

Já não sinto... não sofro... já nem vivo até.
- Se a vida ainda era vida ao ter-te junto à mim
hoje, longe de ti, - nem vida ao menos é!



(Soneto  de JG de Araujo Jorge - coletânea -
"Meus Sonetos de Amor " 1a edição1961 )


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