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"
Descida "



O que tinha de ser já foi... E está perdida
aquela ânsia de espera, de desejo e fé,
e tudo o que virá será cópia esbatida
da Vida que foi Vida e hoje Vida não é...

Muito pouco de tudo ainda resta de  pé...
Agora, nunca mais estréias... Repetida
a alma se reverá um desespero, até
que a vida já não valha a pena ser vivida...

Do que foi canto e flor restam só as raízes,
e ao tédio que envenena os dias mais risonhos
repito: nunca mais estréias... só reprises...

E que importa o que vier? Sejam anos ou meses?
- Nunca mais a beleza dos primeiros sonhos !
- Nunca mais a surpresa das primeiras vezes !


(Soneto  de JG de Araujo Jorge - coletânea -
"Meus Sonetos de Amor " 1a edição1961 )


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