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"
A Espera "




Ela tarda... E eu me sinto inquieto, quando
julgo  vê-la  surgir,  num  vulto,  adiante,
- os  lábios  frios,  trêmula  e  ofegante,
os seus olhos nos meus, linda, fitando...

O céu desfaz-se em luar... Um vento brando
nas folhagens cicia, acariciante,
enquanto com o olhar terno de amante
fico à sombra da noite perscrutando...

E ela não vem...Aumenta-me a ansiedade:
- o segundo que passa e me tortura,
é o segundo sem fim da eternidade...

Mas eis que ela aparece de repente!...
- E eu feliz, chego a crer que igual ventura
bem valia esperar-se eternamente!...


(Soneto  de JG de Araujo Jorge - coletânea -
"Meus Sonetos de Amor " 1a edição1961 )


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