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" Sementes "
À Hugo Cota Dos Santos
Lançarei meus poemas como sementes
sobre os campos adubados com o sangue dos inocentes.
Vinde, homens de todas as terras
- colhei os frutos que nascerão dos meus poemas,
colhei as flores que se abrirão com eles,
dessedentai vossa sede de esperanças
acalentai vossas ânsias de liberdade
embelezai o futuro, colocai jarras de flores
nos móveis vazios e triste
Lançarei meus poemas como sementes,
e eles serão árvores cujas ramas
darão sombra às latitudes,
árvores fortes, cujo lenho aquecerá as mãos frias dos gelos,
serão banco, serão mesa, serão quilha, serão cabo da enxada,
e voltarão à terra.
Estarão nas jarras e nas mesas, nos cabelos e no coração das mulheres,
e nas mãos dos homens que os levarão como archotes.
Os que ouvirem meus poemas, nunca mais esquecerão
a música da liberdade
e não mais se resignarão.
Lançarei meus poemas e eles crescerão e se multiplicarão
na consciência do mundo,
e outros virão amanhã lançar também suas sementes.
Então, meus poemas, serão inúteis, porque ninguém
necessitará das suas flores
nem da sua música,
e já haverá no passo de cada homem o ritmo da liberdade.
Terão cumprido o seu destino.
Estarão na luz dos olhos felizes dos homens livres
na memória do tempo que virou história.
Serão felizes como a cinza, na certeza de que já foram
o fogo do seu tempo
as chamas que deram calor à vida
a fagulha que propagou o incêndio para a queimada necessária.
( Poema de J. G. de Araujo
Jorge
in " O Poeta Na Praça " - 1981 )
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