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" Poeta Subversivo
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Sou um poeta emparedada
por uma crítica de concreto.
Metem-me numa cela escura
como um encarcerado,
ou num esquife, como se minha poesia
manando do coração como água pura
fosse coisa morta,
e o silêncio é um policial à sua porta.
Sou um poeta emparedado
segregado gratuitamente,
deixado na rua como um garoto indigente
abandonado.
Decretaram um "apartheid" contra a
minha poesia.
Para eles, sei lá, há críticos arianos
e poetas brancos
que falam e não são ouvidos,
e então se vingam, ferozes, racistas,
porque minha poesia mestiça anda nas ruas
seja com quem for,
e todo dia amanhece escrita nos corações, como uma
mensagem
subversiva,
de amor.
Ah, poesia perdida - como mulher da vida -
assim como o pão e o leite, como a água e o vinho
alimenta
ou dessedenta
o que tem fome e sede no caminho,
e por isso tem público,
e por isso se vende ...
E o. que é pior, para essa minoria intelectual
espécie de oligarquia tecnocrática da poesia nacional
o povo a entende.
Tudo bem, nada de novo,
não estou nos programas, nos recitais
nas citações dos amigos em roda
nos jornais,
mas estou feliz e em paz...
Sou um poeta do povo.
só isto!
Prego a subversão neste mundo burguês,
a subversão do amor, tal como a pregou,
certa vez,
o Cristo.
( Poesia de J. G. de Araujo
Jorge
in " O Poeta Na Praça" - 1981)
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