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"
O Homem "


Salvando o homem chegaremos ao povo,
este o caminho.

Não aceitemos traições ao homem em nome do povo
do povo traído.

Pregaremos o governo do homem pelo homem e para o homem
não haverá povos felizes enquanto houve homens infelizes.

Aos Senhores dos Governos, lhes dizemos: basta!
desçamos das generalidades para o homem.

Toda vez que desejais mistificar, transferir, enganar,
encheis a boca com o povo, apenas palavra mágica –
para todas as traições.

Ao homem o encontrareis na esquina de mão estendida
e na ameaça do gesto que vos poderá fulminar,
por isso não andais só, a solidão no meio do povo vos aterroriza
aterroriza temeis o homem.

Ao homem o podereis ver, nos "centros de saúde"
em verdade, centros da morte,
e no hospital, na mulher pálida na sala de espera, nos filhos
perdidos na rua,
por isso prometeis salvar o povo, o vago povo, o difuso povo,
o imenso povo
sem detalhes.

Temeis o homem, perdereis    o sono diante da vitima do
atropelamento pelo vosso auto
mas ledes sem emoção a noticia da morte de crianças
tuberculosas, apenas estatística
para os vossos olhos;
o olhar do mendigo, se o encontrais, vos incomoda,
o clichê das multidões vos é indiferente.

Por isso falais em por, porque não cumprireis vossa palavra
e nada fareis pelo homem.

Temeis o homem na bomba, na faca, no tiro, no remorso
na vingança
para cobrar vossas dívidas e vossas obrigações,
não vedes que quando o homem for povo ele vos encontrará
não transferireis as contas indefinidamente.


(Poema de JG de Araujo Jorge  do livro
"O Poeta Na Praça" 1a edição - 1981  )


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