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" Na Praça
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Poeta
e político
estou na praça
e a voz levanto ...
A praça
tira a mordaça
do meu canto.
É o povo!
Onda revolta
num mar em torno, ao redor,
que se encapela e alteia ...
Os poemas são o vento
que agita as ondas
contra os rochedos
e sobre a areia.
A praça é o povo,
seu universo
sua fronteira
sua nação,
onde desfraldo meu verso:
bandeira
de libertação.
A praça é a rinha.
A poesia o palanque.
O poema o discurso
num grito de guerra
ou de paz,
que semeia esperanças
e encaminha
os que ficam pra trás ...
O que faz
E não leva,
o que planta
e não colhe,
o que constrói
e não habita,
o que trabalha
e não recebe,
o que produz
e não consome,
o que cria a fartura
e não come,
o. que enfrenta a vida dura
e morre de fome.
Poeta e político
estou na praça
vou cumprindo
na raça
minha missão ...
Dou letra ao povo
para seu hino,
e para a sua caminhada:
- a direção.
( Poesia de J. G. de Araujo Jorge
in " O Poeta Na Praça" - 1981)
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