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" Migalhas "
O resto de teu prato, o resto
de milhares de outros pratos enfastiados
são o autoflagrante do crime sem protesto
perpetrado
- por aqueles que tem pão e teto
e a segurança de seu próprio nome,
contra os que vivem sem um lar sequer
e os que caem esquálidos de fome!
Como uma gota d'água pequenina
a gigantesca massa de um oceano
pode fazer, um dia, transbordar,
é essa migalha - a sobra e o desperdício -
que há de fazer rolar num dia adiante
no mais sombrio e rude precipício
a avalanche da fome e da miséria!
E essa avalanche há de arrastar, passando,
a humanidade toda,
e há de deixar um campo devastado
só com o sangue dos homens adubado
para uma nova criação...
Das ruínas de uma tal devastação
dos destroços e escombros
da nossa humanidade derrubada,
surgirá
uma outra humanidade mais perfeita
e uma mentalidade mais formada!
É essa migalha de pão
que tu jogas fora sem notar,
- a gota pequenina que há de um dia
fazer todo um oceano transbordar!
( Poema de JG de Araujo Jorge do livro
" O Poeta Na Praça " 1a edição1981 )
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