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" Lumumba "
"Havia
nele qualquer coisa de mágico.
Esse
ser de fogo era um autodidata,
mas
tinha gênio. Enquanto os outros
se
preocupavam com pequenos
problemas
de tribos, ele ja via a
África
unificada."
Aimé
Césaire.
A selva ao redor
era um búzio ressoando!
Mas o que o embebedava
era o vozerio do povo
seu povo escachoando
nas praças libertas,
mais forte que o Congo.
Poeta nascido, e chefe
nascido, a África trazia
esticada no corpo,
dos pés à cabeça,
circulando nas artérias
batendo tan-tans de urucungo
no coração.
Mágico da liberdade
em passes de pura verdade,
o povo se abria, como em frisos
de espuma,
a sua passagem!
Era tão fácil acreditar:
era a fé que buscavam
pare vestir o corpo nu
e alimentar o coração ferido.
A África andava
com seus pés,
nas estradas, nas selvas,
nos rios, nas ruas;
sentava-se com ele nos bares,
cantava no seu violão
dançava no seu peito
brilhava em seus olhos
amava em seu amor;
seguia com ele; à sua voz
de comando;
sua voz cimentava as vontades,
as ânsias, as revoltas;
seus versos levantavam
trincheiras invulneráveis.
Lumumba, poeta
da África
sem porões de negreiros,
sem chibatas de fogo,
sem ferros nos pés,
sem pendulos de forças,
cobrando seus juros de odio
para purificar
o amor que há de vir.
Lumumba, poeta
forte, da África livre
a beber como um trago ardente
a própria cor,
e enfim sendo ouvida, temida,
- lutando,
morrendo
sem medo do branco
o antigo senhor.
Lumumba, poeta
da paz e da guerra,
semente do povo lançada na terra
ofertando, em verdade
cantos para a África
esquecer suas dores
e as duras convulsões
parindo a liberdade!
(Poema de JG de Araujo Jorge do livro
" O Poeta Na Praça " 1a edição1981 )
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