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" Imortalidade "
Não adianta encostar meu verso na parede
para fuzilá-lo.
Eu dobrarei os joelhos. Haverá uma líquida flor
vermelha.
Sim, minha camisa se tingirá.
Minha face será pálida.
Mas meu verso ficará de pé.
A polícia fugirá, os prepotentes fugirão, fugirão os
burgueses,
que eles ainda acreditam em milagres e terão medo.
Mas meu verso ficará de pé.
Não será milagre. Meu verso não está mais em mim
não sou eu
está no povo
e o povo se multiplicará mesmo caindo
e ficará sempre de pé, mesmo que os fuzis detonem
e os joelhos se dobrem...
( Poesia de J. G. de Araujo Jorge
in " O Poeta Na Praça" - 1981)
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