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" Hora Fraca, no Presídio "
E' principalmente a hora da tarde, quando o dia escorre na
luz longa
para além da janela, inapelavelmente...
Companheiros já não há, há fugas impossíveis.
A tristeza quadriculada se adensa lá fora, sopra um vento
frio, um golpe de ar súbito
no coração,
a solidão pesa, como coisa morta.
E' principalmente à hora da tarde, quando a liberdade é
mais necessária
para voltar . . .
Um escuro silêncio, um silêncio espesso entre as quatro
paredes,
comprimido como submarino vencido, no fundo,
coleante, como gesto traiçoeiro.
As camas superpostas estão cheias de pensamentos
que se mexem vagamente, à espera...
Há pêndulos oscilando: a contida revolta, a lembrança da
hora da "janta" ,
até nem há ódio.
Depois, a luz chega batendo, como "tira", gritando como vítima
resta só a vontade de lutar, de sair para lutar
ao lado dos companheiros.
(Poema de JG de Araujo Jorge do livro
" O Poeta Na Praça " 1a edição1981 )
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