biblioteca.gif (1131 bytes)

*****************************************


"
Eram Duas Cidades "

 

Se não estivesses na história pelo teu progresso
ostentoso,
por teus Presidentes assassinados,
tua lei do Lynch, teus "gangsters", teus investidores,
estarias, de qualquer forma, por essa ignóbil coragem
que um dia te tornou o único povo do mundo
capaz de apagar do mapa duas cidades inteiras,
com teus cogumelos de horror.

Lá em baixo, entre chaminés, pontes, estações
havia escolas, jardins, laboratórios, bibliotecas, maternidades,
e casas simples, simples casas aconchegando-se umas às outras
como uma ninhada de pacíficos pintainhos;

e sob suas asas, crianças brincando, mulheres gravidas
esperando,
homens maduros realizando,
homens novos projetando,
homens velhos em suas lembranças se balançando,
todo um mundo tranqüilo, insignificante, tecido de gente
como nós, alheia e indefesa, a viver sem saber
que vivia, seus últimos momentos.

Teus superbombardeiros, aves monstruosas, fizeram das cidades
pacatas, desprevenidas
seus ninhos cegos,
desovaram seus engenhos atômicos, a assim como a Lídice tcheca
dos nazistas,
ou Sodoma e Gomorra, hebraicas, do Senhor,
como num passe de mágica transferiste da geografia
para a tragédia : Nagasaki e Hiroshima.

Ah, teus loucos aviadores ficaram lúcidos muito tarde
nos hospitais psiquiátricos,
mas teus lúcidos generais, esses continuarão loucos ,
(por quanto tempo?)
no Pentágono.



(Poema de JG de Araujo Jorge  do livro
" O Poeta Na Praça " 1a edição1981 )


*****************************************

Home