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" Brasília: O Seu Monumento "
(
De um pronunciamento feito em memória
a
Juscelino Kubitschek de Oliveira no dia
14
de outubro de 1976 )
Brasília é o seu monumento!
Em verdade
não um momento estático, de bronze ou de pedra em silêncio
no alto de um pedestal, cercado de indiferença,
numa rua regurgitante ou numa praça quieta
de qualquer cidade,
entre crianças e indigentes
sem consciência de sua presença.
Não um monumento esquecido trezentos e sessenta e quatro dias
o povo em torno, em seus encontros e desencontros
com a vida; amassando com os pés cansados o pão de cada dia:
um monumento que só existe na curiosidade dos turistas
ou nas horas de festa,
com bandeiras, discursos, soldados,
todo flores e musica, um segundo,
e depois mergulhado em seu anonimato.
Brasília é o seu monumento!
Não um monumento trabalhado por duas mãos, convencional,
num instantâneo imaginário
anatômico, antropomórfico, posando sem ser visto,
réplica de um corpo, sobrevivendo sem alma,
ponteiro de um relógio parado a marcar apenas um segundo
enquanto a História segue adiante, na maratona das séculos.
Brasília é o seu monumento!
Não um monumento estático, de bronze ou de pedra em silêncio.
mas um monumento vivo, construído de gente,
esperanças, sofrimento, alegrias e cansaços
de formas a belezas nunca dantes concebidas
riscando novos perfis nos seus amplos horizontes.
Brasília é o seu monumento!
Sinfonia perfeita e inacabada
entoada num crescendo a cada nova manhã
numa palpitação de real e fantasia;
e, oh! suprema ironia, a crescer com a presença
dos que, tal como Pedro, pretenderam negar,
ou fugir,
e sem coragem para o reconhecimento
terão que se penitenciar um dia.
Cada choro de criança acordando as madrugadas;
cada canto de pássaro; as asas de cada avião
como espátulas abrindo roteiros nos espaços;
cada repique de sino a anunciar a seara
que se multiplica,
são a certeza de sua eternidade a desafiar
os tempos.
Sonhos, glória, troféu,
Brasília é o seu monumento
agora, seu mausoléu.
Brasília, 1976
(Poema de JG de Araujo Jorge do livro
" O Poeta Na Praça " 1a edição1981 )
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