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As Perguntas ao Soldado "´Hippie"

 
Meu Deus, ele vai morrer no Vietnã.
Em vez de comer "cachorro-quente" com "ketchup",
em vez de ir ao cinema com a garota,
em vez de tocar guitarra a dançar ie-ie-iê
ele vai morrer no Vietnã.

Não adiantou responder ao Instituto Gallup
que é pela Paz e pela Flor;
que não reconhece esta guerra,
que esta guerra não é igual as que estudou nos livros de História
mas algo patético e sujo, sem sentido;
que nada tem contra os vietcongs, suas crianças, seus arrozais,
e que nada tem com os generais do Pentágono
fabricantes de armas e medalhas.

E ele vai morrer no Vietnã.
Que fazer? É uma simples peça, insignificante
da maquina monstruosa, montada à custa
de "slogans" políticos, falsos e caros
como os "slogans" da Coca-Cola.

E ele vai morrer no Vietnã.

Não é tanto o fim, que este se encontra inevitável
em todos os calendários,
é o seu coração na hora de multiplicar
seus olhos lúcidos, as perspectivas da juventude,
sua força, capaz de levantar os quatro paus   
do mundo de algum dia.

São as perguntas que o asfixiam: - Morrer, por que? meu Deus,
e matar, para que?



(Poema de JG de Araujo Jorge  do livro
" O Poeta Na Praça " 1a edição1981 )


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