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" Amanhã  Socialista "


E de repente
ele  se sentiu como um homem.

E o que estava no campo amanhando com os pés,
e o que estava nas obras, como um humilde tijolo,
e o que estava na máquina a ordenhar energia,;
e o que estava na estrada arranhando a montanha
para a estrada passar;
e o que estava no mar a levar o navio;
e no ar, no avião; e nos trilhos, no apito;
e o que estava na boca do forno, queimando;
e o que estava na noite a escrever, poetando;
e o que estava no palco, e o que estava pintando;
e o que estava entre os filhos, lutando;
todos eles e elas, sem nome, sem leis, sem futuro,
há milênios nas fainas do suor e do sonho
todos pobres, plebeus,

de repente também se sentiram criaturas
como  as outras criaturas
de Deus!

( E ó grande ironia, ó suprema ironia,
foi preciso também libertar nesse dia
até Deus...)



(Poema de JG de Araujo Jorge  do livro
" O Poeta Na Praça " 1a edição1981 )


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