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" Agradecimento aos Soldadinhos
Vietcongs "
( Os clichês, nos jornais, mostram
meninos de 12 a 15 anos de armas
na mão, lutando contra o invasor
de sua pátria )
Do outro lado do mundo
morrem por nós.
Tão pouco sabemos de sua terra molhada
de seus arrozais amarelos como a pele de sua gente,
do seu povo que antes cruzava as pernas
nos quietos pagodes de bambu, em pacientes peregrinações
ao Nivarna.
Agora, o Nirvana cai do céu, de estranhos pássaros metálicos
numa cega postura de ovos de fogo.
Já não são bonzos, não podem cruzar as pernas:
precisam delas para correr, ninguém sabe para onde,
precisam delas, para marchar, de qualquer jeito.
Do outro lado do mundo
morrem por nós.
Soldadinhos amarelos, cotilédones indestrutíveis
num mundo calcinado.
(Já nasceram soldados, sementes de soldados
na terra engravidada pela morte,
sem ouvir o próprio choro, abafado
pela metralha.)
Soldadinhos de 15 anos morrem por nós
soldadinhos que não são de chumbo, não são de brinquedo,
cuja infância desembocou na tragédia inominável
que esta em toda parte, à que ninguém pode fugir
sem sair de seu povo.
Não sobraçaram livros, não encontraram companheiras,
não sabem que é futuro, não conhecem a palavra
amor,
em compensação manejam canhões antiaéreos,
tocaiam armadilhas, arrastam-se como ofídios
com a lâmina de ódio entre os dentes.
Do outro lado do mundo
morrem par nós.
Não é por acaso; que um poeta antecipa
este agradecimento,
uma palavra sem importância que não chegará certamente
tão longe,
mas que um dia talvez passa ser cantada
numa hora que virá.
Se nao tiver que ser fundida
na agulha do fuzil.
(Poema de JG de Araujo Jorge do livro
" O Poeta Na Praça " 1a edição1981 )
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