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"
Pensamentos Líricos "

    

4
Principalmente
continuaste nas minhas mãos,
onde teu perfume
te guardou inteira.

12
Chegas. E então esqueço
que morri tantas vezes.

E volto a acreditar na eternidade.

33
Os anos rolarão sobre estes versos brancos
e um dia ficarão como pedras verdes
ao limbo do tempo...

Já não serão os teus diamantes
serão as tuas esmeraldas...

34
Estão acenando em teus olhos esgarçados desejos
como nuvens numa alta montanha.

Eu chego, como o vento.

39
Te amo também com as mãos, como um cego.
E não me canso de procurar em teu corpo
os caminhos onde me perco.

40
E ficaram nas minhas costas as marcas de tuas unhas,
como as pegadas do louco viajante
antes que o abismo o tragou.

43
Não dou tempo ao teu pudor
e te tomo sobre meus joelhos...
Colho a tua graça nua
frente ao espelho...

49
Sentindo o caminhar sonâmbulo de tuas mãos
e os passos embriagados de teus dedos,
sou um homem que se dissolve.

79
É sempre a mesma ânsia...
Tomo-te as mãos, os lábios, e estremeces toda,
e te deitas como os verdes capins nas encostas
quando passa o vento...

81
A verdade
é que toda vez que nossas mãos estão se despedindo,
nós já estamos voltando...

84
Ah! Ter sempre que te encontrar, embuçado
como um assaltante,
Ter sempre que pular o muro
para te ver...

( Poema de JG de Araujo Jorge do livro
- Antologia Poética Vol. II-  1a ed. 1978 )


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