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Pavana Para Uma Criança Morta "



E afinal
em meio a tantos embaraços
eis ao que chegamos, sem perceber...

Andamos de um lado para outro
com essa criança nos braços
sem saber o que fazer...

Um sentimento de culpa nos persegue...
Diante dela, ainda choras,
e a minha alma se cala...

Fomos nós que a deixamos morrer sem um gesto sequer
para salvá-la...

E agora, a carregamos
sem reconhecimento, sem piedade,
esquecidos de tudo que nos deu, em outros tempos
de felicidade...

Mas para que lembrar? Houve mesmo outros tempos
em que ela nos pegou pela mão, como crianças
bêbedas de vida
sem falsos pejos,
e embriagou-nos de carícias
e desejos?...

Hoje... Somos nós que a levamos, em nossos braços,
pesados braços, caídos braços, já sem abraços,
sem coragem de enterrá-la
no coração...

E por que esperar por um milagre, se nós não cremos
em milagres?
- Se nós não cremos em ressurreição?


 ( Poema de JG de Araujo Jorge do livro
- Antologia Poética Vol. II - 1a ed. 1978 )


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