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"Flor do Ocidente"
Nasceste grega. Como uma coroa de louros
cingiste a fronte dos heróis
e falaste pela voz de Péricles, o general patrício
aos guerreiros de Atenas.
Foste grega
e representaste a vitória do mais forte,
vicejaste sobre a escravidão de vencidos e plebeus.
Cresceste francesa. Desabrochaste pelas ruas
sobre a barricada das comunas. Embelezaste os discursos
dos mais espertos, e os tornaste por isso
os mais poderosos.
Em teu nome a guilhotina ceifou o dourado trigal
da Realeza
para engordar a burguesia com sua infinita colheita.
Delicada flor do Ocidente - cultivada pelos espíritos mais nobres
miragem das ruas e dos campos,
repudiou-te a realeza,
e desabrochaste como rubra papoula de três pétalas,
- liberdade, igualdade e fraternidade -
e em vão o povo intentou levar-te à lapela
como o próprio coração.
Emigrante - renasceste em novas espécies,
chegaste a ser bela quando florescias nas pontas das espadas
de Washington, Bolívar, Pedro I, San Martin,
mas logo te deixaste a enfeitar os jardins da nova burguesia;
e nas poderosas regiões do Norte,
só os brancos podem colher-te, manchada,
só os ricos sabem teu nome, e podem pronunciá-lo.
Ontem, grega
foste a liberdade do mais forte;
ontem, francesa
foste a liberdade do mais rico;
hoje, americana
continuas a liberdade dos poderosos.
Mas no mundo, amanhã
não serás grega, nem francesa
nem americana,
serás apenas a humana liberdade, a liberdade humana
dos que hão de lutar contra os mais fortes e os mais ricos
para também serem homens.
( Poema de JG de Araujo Jorge
do livro
- Antologia Poética Vol. II - 1a ed. 1978 )
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