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"
Descida "

   

O que tinha que ser já foi...E está perdida
aquela ânsia de espera, de desejo e fé,
e tudo o que virá será cópia esbatida
da Vida que foi Vida e hoje Vida não é...

Muito pouco de tudo ainda resta de pé...
Agora, nunca mais estréias... Repetida,
a alma se reverá num desespero, até
que a vida ja não valha a pena ser vivida. ..

Do que foi canto e flor restam só as raízes,
e ao tédio que envenena os dias mais risonhos
repito: nunca mais estréias... só "reprises"...

             E que importa o que vier? Sejam anos ou sejam meses?
- Nunca mais a beleza dos primeiros sonhos ! 
- Nunca mais a surpresa das primeiras vezes! 


( Poema de JG de Araujo Jorge -  do livro
"
Antologia Poética Vol. II "  1a edição 1978 )


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