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" Cabeça "
Companheiros
aqui está a minha cabeça.
Além dos telegramas, dos jornais, dos partidos,
não sei se valerá mais que uma laranja
talvez seja inútil até mesmo para o inimigo.
Mas é a única coisa que vos ofereço.
Se houver alguma luz utilizai-a
talvez sirva apenas para marcar o caminho
como uma pedra.
Ao menos podereis dizer se vos julgardes perdido:
- é por aqui.
Não julgueis que a valorizo, seu único valor é não ter preço
ninguém a comprará, ela nada valerá,
e por isso ficará no chão, enterrada no chão, como uma pedra.
Companheiros
aqui está a minha cabeça.
Dela nasce e escorre este filete insignificante:
talvez seja poesia.
( Poema de JG de Araujo Jorge do livro
- Antologia Poética Vol. II - 1a ed. 1978 )
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