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" Fidelidade "
Eu sou a tua sombra
a que pisas todos os dias sem sentir,
e acompanha os teus passos sempre
revelada na luz
ou na sombra retraída...
Não me olhas, não me vez, não sabes que te sigo,
andas ébrio da vida,
e invisíveis clarins transbordam teus ouvidos
com os acordes de um hino,
- e a luz que alboreja o céu e de longe te acena
é o ímã que escraviza teus olhos atônitos
e traça o teu destino!
Corre !... Tonto com a luz que o fósforo da Vida
acendeu na substância abstrata dos teus sonhos,
e em mim não pensarás...
Eu sou a sombra humilde, a tua própria sombra,
que te acompanha os passos em silêncio,
e segue- e que eram apenas janelas,
atrás....
E como hás de seguir sempre buscando a luz
nunca me encontrarás...
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No entanto, no último dia, quando a luz fugir
até dos teus próprios olhos, e ficares sozinho,
e desceres sozinho ao derradeiro abrigo,
- Quando a Vida te abandonar, sou eu que te seguirei
e em teu corpo gelado me recolherei
e irei contigo...
( Poema de J. G. de Araujo Jorge
do livro - Antologia
Poética - 1978 )
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