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" Convalescença "
Toda vez que escrevo convalesço, estou nascendo
outra vez dentro de mim.
Convalescença
de uma longa enfermidade em que fiquei paralítico
dentro de mim mesmo.
E de repente, posso andar, posso sair, - que misterioso médico
indicou-me a liberdade e reconciliou-me com a claridade da manhã
e os caminhos que são sinuosos convites acenando?
Estou descendo invisíveis degraus de uma branca escadaria
que dá para um grande parque onde as árvores e os homens dialogam
e brincam como as crianças,
e fazem roda em torno das heras de velhos poetas
escondendo faunos
nas pupilas de bronze.
A criação é uma convalescença, uma janela de hospital que se abre,
dois braços que respiram abarcando o espaço
e dois olhos que começam a cantar como os pássaros
Estes cantos são apenas o ritmo elementar da respiração desopressa
o latejar do sangue nas veias, que arremeda
as águas que estão rolando em algum lugar do mistério.
Fora da arte e da poesia
a vida é uma longa enfermidade, um tédio branco
de hospital, sem esperança.
( Poema de J. G. de Araujo Jorge
do livro - Antologia
Poética - 1978 )
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