
Paradoxo
A dor que abate, e punge, e nos tortura, que julgamos às vezes não ter cura e o destino nos deu e nos impôs, é pequenina, é bem menor, e até já não é dor talvez, dor já não é dividida por dois. A alegria que às vezes num segundo nos dá desejos de abraçar o mundo, e nos põe tristes, sem querer, depois, aumenta, cresce, e bem maior se faz, já não é alegria, é muito mais dividida por dois. Estranha essa aritmética da vida, nem parece ciência, parece arte; compreendo a dor menor, se dividida, não entendo é aumentar nossa alegria se essa mesma alegria se reparte.
( Poema de JG de Araujo Jorge do livro- Festa de Imagens 1948) 
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