
Bilhete O teu vulto ficou na lembrança guardado, vivo, por muitas horas!... e em meus olhos baços Fitei-te como alguém que ansioso e torturado Tentasse inutilmente reavivar teus traços... Num relance te vi depois, quase irritado Fugi, - e reparei que ao marcar os meus passos ia a dizer teu nome e a ver por todo lado o teu vulto... o teu rosto... e o clarão dos teus braços! Talvez eu faça mal em querer ser sincero, censurarás quem sabe? Essa minha ousadia, e pensarás até que minto, e que exagero... Ou dirás, que eu falar-te nesse tom, não devo, que o que escrevo é infantil e absurdo, é fantasia, e afinal tens razão... nem sei por que te escrevo! (Poema de J.G. de Araujo Jorge, extraído do livro "Meu Céu Interior", 1ª edição, setembro,1934.)

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