34 - O PODER DA FLOR - ( 1a edição - 1969);

Seu título é a tradução literal de uma mensagem "hippie":
"The flower's power." Vamos fazer o amor, não a guerra. Esse livro
que J.G. considera sartriano, é todo um canto de amor, e um alerta
aos espíritos diante de um mundo conturbado por lutas, violências,
e ameaças. É um "livro pra frente" , moço, integrado ao seu tempo,
letra para  os anseios contemporâneos. Está dividido em duas partes.
Na primeira, como diz o poeta "Acima de tudo cantarei o Amor";
na segunda, perpassam como temas, os acontecimentos mais vivos e
emocionantes de nossa época. Araujo Jorge já escreveu certa vez que
os "poetas são radares de nosso tempo: avisam, antecipam, vaticinam.
" Talvez, em nenhum de seus livros ele cumpra tão
altamente a sua missão.
E para não nos alongarmos em citações ( e teríamos que fazer muitas)
e dar uma idéia de cada uma das partes em que se subdivide a obra,
fiquemos com
este verdadeiro "manifesto" poético, e que sublinha sua mensagem:

CANTAREI O AMOR

Acima de tudo
cantarei o amor

O de Cristo e Confúcio,  o de Romeu e D. Juan,
acima de tudo cantarei o amor .

Em todos os momentos, lascivos ou gloriosos,
mansos ou eróticos,
unindo dois ou arrastando milhões,
nascido da ternura ou da revolta,
procriando seres ou idéias,
acima de tudo cantarei o amor.

O amor
-cimento e força -
que constrói e ilumina
que convoca e conquista,
- bola de neve do Bem inevitável -
acima de tudo cantarei o amor.

E o tirarei do coração
como a hóstia do cálice
ou o sol, da manhã,
ou a espada, da bainha,
- fulcro para a alavanca do meu verso
mover o mundo -

acima de tudo cantarei o amor.