19- MENSAGEM.  Poesia, (1a  edição, 1966 ).
(Civilização Brasileira Editora).

"Poeta de massas de maior projeção no Brasil, J. G. de Araujo
Jorge reúne em "Mensagem", poemas antigos e poemas recentes,
mas caracterizados pelo mesmo sentido de solidariedade humana
e postos, todos, a serviço de um mundo melhor", escreve Moacyr
Félix, apresentando o volume. O livro ia chamar-se "Estrêla da
Terra e Outras Poemas", pois na realidade, reúne um grande
número de poemas desse livro que J. G. caracterizou como de
"poesia política", livro praticamente desconhecido do seu grande
público, já que apenas com uma edição, e esgotado há mais de
20 anos. Mas o volume contém cerca de 50 novos poemas, datados
de 1965 e 1966, "poemas participantes", de "vanguarda", na
linha de seu autor, que pensa que dá ao homem um sentido
transcendente, a possibilidade quase profética de antevisão".
Eis uma mostra de sua poesia, onde a sátira
se mistura à contida veemência do libelo:

JOGO

No gabinete atapetado de Wall Street no 100.0 andar,
(a estátua da liberdade ao fundo, acendendo com seu isqueiro
o charuto da burguesia),
James Monroe à parede (a América para os americanos),
ar refrigerado, coca-cola,
filantrópicos senhores, doadores, benfeitores, investidores,
(exportadores,
estão  em torno de uma mesa baralhando cifrões...

Será poquer? Canastra? Bridg ? Buraco?
Ou algum jogo clandestino?

Nada disto:
entre cálculos de bilhões
e baforadas de " havana"
jogam apenas o destino
de alguma republiqueta sul-americana...

P R O S A