18 - QUATRO DAMAS.  Poesia, (1a  edição, 1965 ) .

  Quatro Musas?  Neste caso, quatro livros   num só.
Após o lançamento do livro, Araujo Jorge recebeu uma telefonema
de Murilo Araujo, que lhe disse:  "- Nunca encontrei em outro poeta
a humanidade que você põe em seus versos".
"Quatro Damas" é mais uma obra lírica traduzindo instantes de alta
beleza e pura sensibilidade.  Poeta brasileiro nenhum conseguiu
transformar em palavras o mundo do coração, o amor, em suas
infinitas nuanças, tecido de alegria, de angústia, de desejo, de drama,
como Araujo Jorge.  Seria difícil escolher um poema para definir o
sentido total desta obra.  Teríamos que escolher pelo menos quatro. 
Mas citemos apenas um,
e o leitor certamente se interessará em conhecer os demais. 
É um poemeto retirado à 2a  parte do livro:

NOSSA CAMA

Olho nossa cama.  Palco vazio
sem o drama, sem a comédia,
do nosso amor.

A nossa cama branca,
branca página, em silêncio,
de onde tudo se apagou...

(Meu Deus! quem poderia ler aquelas ânsias, aqueles gemidos,
aqueles carinhos
que a mão do tempo raspou, como nos velhos
pergaminhos? ... )

A nossa cama
imensa, como a tua ausência,
tão ampla, tão lisa, tão branca, tão simplesmente cama,
e era, entretanto, um mundo,
de anseios, de viagens, de prazer,

- oceano, que teve ondas e gritos encapelados,
e nele nos debatemos tanta vez como náufragos
a nadar... e a morrer...


Olho a nossa cama, palco vazio,
em nono quarto, - teatro fechado -
que não se reabrirá nunca mais...

Nossa cama, apenas cama, nada mais que cama
alva cama, em sua solidão
em seu alvor...

Nossa cama:
-campa (sem inscrição)
do nosso amor.