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1 - MEU CÉU INTERIOR (1a edição -1934), em 6a edição.
Neste livro de estréia, profundamente lírico, Araujo Jorge ora lembra
aquela pureza inicial os antigos poetas gregos, (e houve alguém que
lhe comparasse os versos aos cantos e odes anacreônticas), ora sugere
Steccheti, pela simplicidade do estro e pelas características temáticas
e imaginativas.
Os versos deste livro foram escritos entre os 15 e os 17 anos do poeta,
muitos deles, quando ainda era aluno do Colégio Pedro II.
Deste livro, talvez o poema "OS VERSOS QUE TE DOU..." é o que
mais fundo tenha palmente as jovens, pela sua terna beleza.
OS VERSOS QUE TE DOU...
Ouve estes versos que te dou, eu os fiz
hoje que sinto o coração contente,
- enquanto o teu amor for meu somente,
eu farei versos... e serei feliz ...
E hei de faze-los pela vida em fora
versos de sonho e amor, e hei de depois
relembrar o passado de nós dois,
esse passado que começa agora...
Estes versos repletos de ternura
são versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escutá-los, sem ninguém
que possa perturbar nossa ventura...
Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia, mais tarde, revive-los,
nas lembranças que a vida não desfez...
E ao lê-los... com saudade, em tua dor,
hás de rever, chorando, o nosso amor,
e hás de lembrar, também, de quem os fez...
Se nesse tempo eu já tiver partido
e outros versos quiseres, teu pedido
deixa ao lado da cruz para onde eu vou...
Quando lá, novamente, então tu fores,
podes colher do chão todas as flores
pois são versos de amor que ainda te dou!..