" Explicação "
Este livro reúne um punhado de crônicas
poéticas, colhidas de mim mesmo, e da vida, ao redor. A crônica é um velhíssimo gênero literário, entretanto, sempre
atual. De Fernão Lopes a Stanislaw Ponte Preta, passou por
todos os estilos, respingou todos os assuntos. Séria. Mundana, romântica, humorista, é
uma impressão leve, instantânea, sobre algo que nos
emocionou, de que participamos, ou ainda, uma visão breve o que
fomos, num momento de colóquio íntimo. Pela infinita
variedade de temas e fatos, pela diversidade de espírito
e temperamentos há uma inumerável
classificação de cronistas. Mas, para mim, o verdadeiro cronista, é aquele que não
precisa de assunto, não escreve sobre a sociedade, os livros, os
filmes, as artes, os acontecimentos políticos. O
assunto é pura e simplesmente ele mesmo, sua vida, seu mundo. Como o meu velho e querido amigo
Antônio Maria que, de copo em riste, desafiava a
noite, o amor, e a solidão. Um poeta a fingir
de cronista, a tentar escapar pela janela da prosa - tão rico de si mesmo, e
tão perdulário, a esbanjar-se até o último momento. Por isso, quis lhe dedicar
este livro, ele que escreveu, certo dia, me amparando:
"Não ligue para os que lhe torcem o nariz, ou acham bonito não gostar de seus
versos. Elas gostam, e não é
possível que não haja alguma razão. O
sorriso desdenhoso da crítica? Ah, meu caro, que mal faz? Será
esta atitude definitiva? Existem Glauces, Eunices, Teresas
e Isabeis que sabem de cor os seus versos e os dizem com a mesma impertigação com que repetem o Hino Nacional.
Agora mesmo, conheci um mundo de menina, olhos azuis
e tudo, que após elogiá-lo dos pés à cabeça ( da alma ), disse-me, com o
coração na tipóia: - Antônio Maria, você é o J.G. da prosa. E eu fiquei contente, meu caro José Guilherme."
Bem que eu poderia ter respondido: eu sim, é que
gostaria de ser, não apenas o Antônio Maria da crônica, mas
até da poesia. Ah, quantas vezes nos revelou o grande poeta que era,
na sua "Mesa de Pista" e no "Jornal
de A.M..." Estas crônicas, em sua maioria,
foram publicadas durante três anos
na revista " JOIA " e outras publicadas em " O Globo "
e " O Jornal ", do RJ, de Janeiro de 1967 à
Agosto de 1969 . Leitores se interessaram por muitas delas, a ponto de
me telefonarem, ou escreverem, sugerindo a idéia de enfeixá-las em um livro,
como se merecessem escapar à vida efêmera da imprensa. Acreditei neles, como vêem. Aqui estão, falando sobre poesia,
poetas, a Vida, e alguns assuntos menos sérios. De início,
pensei em publicá-los em companhia de poemas, iam fazer parte de "O
Poder da Flor". Mas o livro ficaria muito volumoso com mais de
quinhentas páginas, pouco prático, e caro. Resolvi então separá-las, tirei
o título de uma delas, e assim nasceu este "No Mundo da Poesia". Que consigam fazer novos amigos, novos leitores, e
justifiquem a esperança de que realmente merecem uma vida mais longa, sabe lá Deus até
quando.
( Crônica de JG de
Araujo Jorge extraído do livro " No Mundo da Poesia " Edição do Autor -1969 ) ***************************************** 
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