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" Morte do Operário "


Vinha de longe no caminhão. Trazia a faixa: abaixo o fascismo!
Não sentirá mais fome. O corpo dobrou sobre o estômago,
bateu pesado no chão,
chão vermelho.
Não adiante enxugar. Nunca sairá do chão a nódoa rubra.

No enterro houve silêncio. O "tira" estava na porta do cemitério.
A Democracia sentia, nas costas apontando,
a mesma metralha da praça.
Não havia lágrima. Não houve despedida. Apenas calor no rosto, um frio nas mãos,
uma vontade de morrer também, se fosse preciso.




( Poema  de J G  de Araujo Jorge
do livro " Mensagem " 1a ed. 1966  )


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