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" Letra Anônima "
A Polícia perseguirá meu verso
mas não o encontrará.
O povo acolherá meu verso clandestinamente
e lhe dará pão e água, (que mais terá o povo?)
e despistará os "tiras"
com o eterno desconhecimento.
E meu verso não precisará se esconder,
porque estará presente de qualquer forma
e eles nunca o verão.
Sempre presente, na porta que se abre, no susto que empalidece,
na preocupação que se inicia, na lembrança incomunicável
na volta macerada, no escarro de sangue.
Estará presente, sempre presente,
desde que se bata à porta daluta
pela liberdade e pela justiça - desde que se bata
à porta dos explorados, dos injustiçados.
Ele atenderá. Estará na revolta que acende os olhos
no palavrão impossível, no pensamento de esperança
se o companheiro não for encontrado.
A polícia perguntará ao meu verso pelo meu verso
e levará meu verso para interrogá-lo
e ele ficará no entanto, milhares de vezes em liberdade,
até que a polícia não ronde o ódio justo.
Os que têm no coração a música da liberdade,
ouvem meus versos sem saber - eles são a letra -
a letra anônima.
( Poema de J G de Araujo Jorge
do livro " Mensagem " 1a ed. 1966 )
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