*****************************************


" Conselho "


Solta essa arma, desgraçado
deixe-a de lado!
Por que queres matar teu companheiro
se tu nem o conheces?

Não vês que ele tem filhos pequeninos
e tem mãe
e esposa
e irmãos que esperam pela sua volta ?

Solta essa arma, desgraçado, solta!

Não vês que ele trabalha como tu
honestamente
e pobre, e humildemente,
desde que nasceu?

Não vês que como tu, ele lutou em vão
e abandona o seu lar sem ter nada de seu?

Solta esta arma que tu tens na mão!

Por que queres matar teu companheiro
hoje, pelo trabalho
mais que teu companheiro: teu irmão?

Não vês que ele ergue aos céus as tuas preces?
Não vês que ele deixou também um lar?
E se nem conheces
por que razão o vais friamente matar?

Não ouça as vozes que falam de sombra
nem cometas um crime que tu não compreendes!
Não sigas as palavras dos que não te seguem
nem escutes aqueles que na paz te exploram!

Eles fazem da guerra o imenso matadouro
onde todos serão esquartejados,
porque a tua carne vale mais que ouro
para o mais torpe e vil de todos os mercados!


Solta essa arma, desgraçado,
e se queres morrer
não morras por aqueles que te chibateiam
e que não vês sequer!
Morre por um desejo bom que realizares
por um amor sublime que te fez feliz
por um sincero amigo
ou por um cão qualquer!

Não mates teu companheiro igualmente iludido
ele é também capaz de amar e de sentir
de chorar e de sofrer!

Solta essa arma, desgraçado, solta,
ou mata-te com ela se te apraz morrer!




( Poema  de J G  de Araujo Jorge
do livro " Mensagem " 1a ed. 1966  )


*****************************************

Home