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"
Vida "
01
"Quem canta os males espanta"
Disto, afinal, tenho prova,
pois meu sofrer hoje canta
e se desfaz numa trova.
02
O tal ditado é um conselho,
não te mostres desolado:
- "há sempre um chinelo velho
para um pé doente e cansado..."
03
Na sua inquieta beleza,
sob o mistério de um véu,
sua vida é uma asa presa
que há de soltar-se no céu.
04
Gota d'água transparente
que brilha, cresce... e que cai!
Assim a vida da gente
que num momento se vai...
05
Vida amarga! E na amargura
da vida, eu pensei, querida:
- quem dera a tua doçura
para adoçar minha vida!
06
Pobre alma triste e cativa!
E há quanta gente como eu
a pensar que ainda está viva,
sem saber que já morreu!
07
No carnaval de verdade,
da vida não tive nada...
- Quem dera a felicidade,
nem que fosse mascarada!
08
A vida - mistério vão -
sombra agora, depois luz.
Estranho traço de união
ligando um berço a uma cruz.
( Trovas de J.G. de Araujo Jorge in
"Cantiga de Menino Grande" - 1962 )
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